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| Marcelo Rebelo de Sousa em uma das viagens presidencial |
- Marcelo Rebelo de Sousa termina mandato com recorde de 175 deslocações oficiais.
- A CPLP e a mobilidade de cidadãos tornam-se o principal desafio para o sucessor em Belém.
- Impacto diplomático vs. Custos: O balanço de uma presidência itinerante.
- O que esperar da política externa portuguesa em 2026.
O Palácio de Belém prepara-se para uma mudança de ciclo, mas a mala de viagem que o próximo Presidente da República irá herdar tem uma "batata quente" difícil de ignorar: a coesão da CPLP. Marcelo Rebelo de Sousa despede-se como o chefe de Estado que mais quilómetros somou, registando 175 deslocações ao estrangeiro em dez anos, um número que redefine o papel diplomático da presidência.
Este artigo analisa o legado desta hiperatividade diplomática e os desafios reais — da imigração à influência geopolítica — que o novo inquilino de Belém terá de enfrentar. Se procura compreender como as viagens presidenciais afetam o seu bolso e a posição de Portugal no mundo, continue a ler este dossiê completo do Portal Mundo Time.
- Leia também: Quem São os Imigrantes em Portugal? Ranking, Percentagens e Dados Oficiais Atualizados.
O Recorde de Marcelo: 175 Viagens que Mudaram Belém
Desde 2016, a agenda externa de Portugal ganhou uma tração sem precedentes. Segundo dados cruzados do Portal da Presidência e de órgãos como o Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa superou largamente os seus antecessores, incluindo Mário Soares e Cavaco Silva, na frequência de visitas oficiais.
Estas deslocações não foram meramente protocolares. Marcelo utilizou a sua "magistratura de influência" para cimentar laços com a diáspora portuguesa e para tentar resolver impasses no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Contudo, esta omnipresença externa levanta questões sobre o custo-benefício e a eficácia de uma diplomacia tão personalizada.
| Presidente | Mandatos | Total de Deslocações (Aprox.) | Foco Principal |
|---|---|---|---|
| Marcelo Rebelo de Sousa | 2016 - 2026 | 175 | CPLP, Diáspora e Proximidade |
| Aníbal Cavaco Silva | 2006 - 2016 | 90 | Economia e Consolidação Europeia |
| Jorge Sampaio | 1996 - 2006 | 110 | Direitos Humanos e Timor-Leste |
A CPLP como "Batata Quente": O Desafio da Mobilidade
Para o sucessor de Marcelo, a CPLP deixa de ser uma plataforma de retórica para se tornar um dossiê de gestão de crise. O Acordo de Mobilidade, ratificado nos últimos anos, permitiu uma entrada facilitada de cidadãos de países lusófonos em Portugal, mas a implementação logística e a integração social têm sido alvo de duras críticas.
Na opinião de especialistas em relações internacionais, Portugal encontra-se num equilíbrio precário entre as exigências de Bruxelas (Espaço Schengen) e os compromissos históricos com o Brasil, Angola e Moçambique. O novo Presidente terá de decidir se mantém a política de "portas abertas" ou se cede à pressão por controlos mais rigorosos, num momento em que o setor imobiliário e o mercado de trabalho sentem o peso demográfico.
Impacto Financeiro e Investimento Estrangeiro
A diplomacia presidencial tem um impacto direto no investimento estrangeiro direto (IED). Durante as visitas de Estado, foram assinados protocolos que facilitaram a entrada de capitais angolanos e brasileiros em setores estratégicos como a banca e a energia. Estima-se que as missões empresariais que acompanharam o Presidente tenham ajudado a viabilizar negócios superiores a 500 milhões de euros anuais.
Contraditório: As Críticas à "Presidência Turística"
Nem todas as vozes são de elogio. Setores da oposição e alguns analistas políticos, citando frequentemente o jornal Público e a SIC Notícias, argumentam que o excesso de viagens retirou o foco dos problemas internos, como a crise no SNS e a habitação.
"O ativismo externo de Marcelo foi, por vezes, uma forma de fuga à complexidade da política doméstica, onde os seus poderes de intervenção são mais limitados", refere um editorial recente da imprensa nacional.
Existe ainda o debate sobre a pegada ecológica e o custo para o erário público. Embora os valores exatos das deslocações sejam públicos através do Tribunal de Contas, a opacidade sobre certos gastos logísticos em comitivas alargadas continua a ser um ponto de fricção política.
O que esperar do novo Presidente em 2026?
O perfil do sucessor determinará se Portugal continuará a ser um "vendedor global" ou se voltará a uma postura mais contida. De acordo com fontes próximas do Conselho de Estado, os cenários prováveis incluem:
- Racionalização das Viagens: Uma redução de 30% na frequência de deslocações para focar em temas da União Europeia.
- Revisão da CPLP: Focar mais na cooperação económica e menos na livre circulação sem controlo.
- Reforço das Relações Transatlânticas: Especialmente com os EUA, face à instabilidade na Europa de Leste.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quantas viagens fez Marcelo Rebelo de Sousa no total?
Ao final do seu segundo mandato, o número situa-se nas 175 deslocações oficiais.
Qual é o país mais visitado?
Espanha e Brasil lideram a lista, devido à proximidade geográfica e aos laços da CPLP.
Quem paga as viagens do Presidente?
As despesas são suportadas pelo Orçamento do Estado, através da dotação atribuída à Presidência da República.
Conclusão: O Fim de uma Era de Hiper-Presidência
O tema das deslocações presidenciais continuará em debate muito após a saída de Marcelo Rebelo de Sousa. A "batata quente" da CPLP e o legado de uma presidência itinerante forçam Portugal a refletir sobre o seu papel no século XXI. A medida do sucesso do próximo Presidente não será contada em quilómetros, mas na capacidade de transformar essas milhas em soluções concretas para os cidadãos.
Fontes Consultadas: Presidência da República, SIC Notícias, Jornal Expresso, INE e Diário da República.
Nota: Este conteúdo foi verificado pela equipa editorial do Portal Mundo Time. As informações poderão ser revistas conforme novos dados surjam.
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