Leis de Imigração em Portugal 2026: o que mudou sobre deportações e impostos

Ana Fernandes
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Manifestantes protestando com cartazes e uma policial policiando a manifestação em uma rua movimentada, demonstrando o direito de manifestação em Portugal.
Portugal mudou as regras. Vale a pena continuar a pagar impostos sem ter segurança jurídica? Entenda a nova realidade das expulsões em 2026

Imigração em Portugal: A Nova Era da Expulsão e o Dilema Fiscal

Portugal aperta o cerco à irregularidade: entre o fim da Manifestação de Interesse e o aumento da cobrança fiscal, o que mudou realmente nas deportações este ano?


Destaques da Matéria:

  • Fim da Manifestação de Interesse: A revogação dos artigos 88.º e 89.º da Lei de Estrangeiros.
  • Plano de Ação para as Migrações: As 41 medidas que estruturam o novo controlo de fronteiras.
  • Deportações em 2026: O aumento da eficácia nas ordens de saída e o papel da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras (UEF) da PSP.
  • Contribuição Fiscal: Imigrantes injetam mais de 1.600 milhões de euros na Segurança Social, mas enfrentam barreiras nos serviços públicos.

Portugal vive um momento de viragem na sua política migratória. O país, que durante anos foi visto como uma das portas de entrada mais flexíveis da União Europeia, implementou em 2024 e consolidou em 2025/2026 um modelo de "imigração regulada". A grande questão que domina o debate público e as comunidades de estrangeiros é: Portugal quer o seu dinheiro, mas não a sua presença?

Este ano, a realidade das expulsões de imigrantes ilegais tornou-se mais visível. Com a extinção do SEF e a plena operação da AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) em conjunto com a PSP, os processos de retorno coercivo ganharam uma nova dinâmica operacional, focada especialmente em indivíduos com ordens de saída não cumpridas e em situações de vulnerabilidade social extrema.

Leia também: Imigração em Portugal: Ventura quer fechar fronteiras e promete “fim da bandalheira”; declaração de Manuel João Vieira gera controvérsia.

O Coração do Conflito: O Fim da Regularização "Por Dentro"

A mudança mais drástica na legislação portuguesa foi a revogação do mecanismo de Manifestação de Interesse. Até junho de 2024, um imigrante podia entrar como turista e regularizar-se mediante um contrato de trabalho e descontos para a Segurança Social. Atualmente, a regra é clara: o visto de trabalho deve ser obtido no país de origem.

Segundo dados oficiais do Governo, esta medida visa travar o crescimento descontrolado de processos pendentes, que chegaram a ultrapassar os 400 mil casos. Na opinião de especialistas em direito migratório, esta "limpeza" legislativa criou um limbo jurídico para milhares de pessoas que já se encontravam em território nacional, aumentando o risco de precariedade e, consequentemente, de expulsão.

Tabela: Comparativo de Regras (Antes vs. Depois)

Critério Regime Anterior Regime Atual (2025/2026)
Entrada Turismo com regularização posterior. Obrigação de Visto Consular prévio.
Manifestação de Interesse Permitida via Artigos 88.º e 89.º. Revogada.
Fiscalização Transição SEF para AIMA (lenta). Reforço da PSP/GNR nas fronteiras.
Prioridade Acolhimento humanitário. Atração de talento e quadros qualificados.

Leia também: Imigração cai 40% em Portugal e o Banco de Portugal teme impacto grave na Segurança Social.

Expulsão e Deportação: O que mudou na prática em 2026?

O conceito de "deportação" em Portugal é tecnicamente tratado como Afastamento Coercivo. Este ano, o Ministério da Administração Interna (MAI) reforçou os protocolos com a agência Frontex para acelerar os voos de repatriamento. A prioridade de expulsão recai sobre três grupos específicos:

  • Indivíduos com antecedentes criminais ou que representem ameaça à segurança nacional;
  • Cidadãos com ordens de abandono voluntário do território que ignoraram o prazo de 20 dias;
  • Redes de imigração ilegal e tráfico de seres humanos.

Este cenário levanta críticas porque, para muitos, a linha entre o imigrante irregular que trabalha arduamente e o "criminoso" tornou-se ténue na retórica política. O Plano de Ação para as Migrações, aprovado pelo atual Governo, prevê um sistema de "alerta precoce" que cruza dados da Segurança Social com a validade dos títulos de residência.

A "Galinha dos Ovos de Ouro": O Impacto Financeiro

Aqui reside o paradoxo. Em 2023 e 2024, os imigrantes foram responsáveis por um saldo positivo recorde na Segurança Social, ultrapassando os 1.600 milhões de euros. Portugal precisa deste capital para equilibrar a pirâmide demográfica e sustentar as reformas dos cidadãos nacionais.

A análise do Portal Mundo Time indica que o Estado português beneficia significativamente dos impostos diretos (IRS) e indiretos (IVA) pagos por esta população, enquanto a estrutura de serviços públicos (Saúde e Habitação) falha na resposta às necessidades básicas destes mesmos contribuintes. É a "Dura Realidade": exige-se o dever fiscal, mas dificulta-se o acesso ao direito de residência.

"O Estado não pode ver o imigrante apenas como uma unidade de receita fiscal. É necessário garantir que quem contribui tenha segurança jurídica." – Excerto de parecer de associações de apoio ao imigrante.

Contraditório: Riscos e Críticas às Novas Medidas

Nem todos concordam com o endurecimento das regras. Sindicatos de setores como a Construção Civil e a Hotelaria alertam para uma crise de mão-de-obra sem precedentes. Se as deportações aumentarem sem um canal de entrada fluido, a economia portuguesa poderá estagnar.

Por outro lado, partidos à direita defendem que o "controlo de portas abertas" do passado sobrecarregou o SNS e inflacionou o mercado imobiliário, justificando as medidas de expulsão como uma forma de repor a ordem social.

Leia também: Nova Lei da Nacionalidade trava cidadania e deixa milhares à espera.

Cronologia das Mudanças Legislativas

  • Junho 2024: Fim imediato das Manifestações de Interesse por Decreto-Lei.
  • Janeiro 2025: Reestruturação da AIMA e criação da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras na PSP.
  • Outubro 2025: Implementação do novo portal de vistos para a CPLP com critérios de subsistência mais rígidos.
  • Janeiro 2026: Início das operações conjuntas de fiscalização em larga escala em centros logísticos e agrícolas.

FAQ - Perguntas Frequentes

1. Posso ser expulso se estiver a trabalhar mas sem documentos?
Sim. Estar a trabalhar e descontar não garante imunidade contra uma ordem de afastamento se não possuir um título de residência válido ou processo pendente iniciado antes da mudança da lei.

2. Qual o papel da PSP agora?
A PSP assumiu as competências de fiscalização de permanência em território nacional, podendo realizar operações de identificação e executar ordens de expulsão decretadas judicialmente.

3. Portugal ainda é um bom país para investir e emigrar?
Sim, especialmente para profissionais qualificados, investidores e nómadas digitais, para os quais os canais de visto continuam abertos e são incentivados através de benefícios fiscais específicos.

Conclusão

Portugal não fechou as portas, mas instalou uma "porta giratória" mais pesada e controlada. O tema continuará em debate, especialmente à medida que os dados de 2026 revelarem o impacto real destas expulsões na economia. A dualidade entre a necessidade de receita fiscal e a pressão política por controlo migratório define o Portugal de hoje.


Fontes Consultadas: Portal do Governo, INE, SIC Notícias, AIMA.

Nota: As informações contidas neste artigo baseiam-se na legislação vigente à data de janeiro de 2026 e poderão ser revistas conforme novos dados surjam.

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