Cartaz falso com ‘putos castanhos’ explode nas redes

Ana Fernandes
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Anúncio político com um homem de terno azul e fundo com as cores de Portugal, em que há a frase 'Tira os teus putos castanhos da minha creche
Cartaz falso gera indignação e ação judicial de Ana Gomes

Cartaz falso sobre “putos castanhos” leva Ana Gomes a apresentar queixa-crime contra dirigente do Chega

Indignação e choque nas redes sociais. Um cartaz criado com inteligência artificial e partilhado por Pedro Pinto Faria, membro do Conselho Nacional do Chega, tornou-se viral ao mostrar André Ventura ao lado da frase “Tira os teus putos castanhos da minha creche”. A imagem, que rapidamente ultrapassou as 400 mil visualizações na rede X (antigo Twitter), motivou uma queixa-crime apresentada por Ana Gomes, antiga eurodeputada do PS.

Para Ana Gomes, o cartaz representa uma tentativa deliberada de “difundir propaganda racista” sob o disfarce de sátira ou manipulação digital. A ex-diplomata acusa o conselheiro do partido de recorrer a táticas de desinformação para espalhar mensagens de ódio.
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O caso levanta questões profundas sobre o uso da inteligência artificial em propaganda política e o impacto da manipulação digital na percepção pública. Ana Gomes afirma que não se trata apenas de uma imagem falsa, mas de “um instrumento para normalizar o racismo na política portuguesa”.

O cartaz que incendiou o debate político

Na imagem em causa, vê-se o líder do Chega, André Ventura, sorridente, junto à frase ofensiva que se tornou o centro da polémica. Embora o partido não tenha assumido a autoria, o cartaz foi divulgado por um dos seus conselheiros nacionais e rapidamente associado ao discurso político da extrema-direita.

O conteúdo provocou uma onda de indignação nas redes sociais, com milhares de utilizadores a condenarem o teor racista e a questionarem os limites da liberdade de expressão quando esta serve para desumanizar comunidades.

A resposta de Ana Gomes e o enquadramento jurídico

Imagem de uma mulher idosa com cabelo grisalho curto, vestindo blusa preta com pontos brancos, em um cenário com iluminação azulada, parecer pensativa.

A antiga eurodeputada decidiu avançar com uma queixa-crime por incitamento ao ódio e discriminação racial, acusando o dirigente do Chega de promover uma campanha que ultrapassa o mero debate político. “Não é humor, é racismo disfarçado”, escreveu Ana Gomes numa publicação que rapidamente se tornou viral.

Juristas consultados por meios de comunicação portugueses explicam que o caso poderá enquadrar-se no artigo 240.º do Código Penal, que pune quem “fundar ou participar em organizações que propaguem a discriminação racial”.
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Manipulação digital e propaganda: um novo desafio

O uso de imagens geradas por inteligência artificial para fins políticos está a tornar-se uma ameaça crescente à integridade do debate público. Especialistas em comunicação alertam para a facilidade com que conteúdos falsos, como o cartaz em questão, podem moldar opiniões e reforçar preconceitos.

Segundo a investigadora em ética digital Inês Campos, “o perigo não está apenas na mentira, mas na velocidade com que ela se espalha e se transforma em verdade percebida”. O caso mostra como as fronteiras entre humor, sátira e ódio podem ser intencionalmente distorcidas para ganhar influência política.

Reação do Chega e silêncio de Ventura

Até ao momento, André Ventura não comentou publicamente o caso. Fontes próximas do partido dizem que o dirigente do Conselho Nacional agiu por conta própria, embora tenha mantido o conteúdo online durante várias horas. Essa demora em reagir gerou ainda mais críticas e levantou dúvidas sobre a cultura interna do partido em relação a temas de discriminação racial.

Impacto político e social

O episódio reacende o debate sobre a forma como o racismo e a xenofobia são instrumentalizados na política portuguesa. Para muitos analistas, o caso mostra que as redes sociais continuam a ser terreno fértil para o discurso de ódio e a desinformação.

Este episódio também coloca pressão sobre as autoridades judiciais e sobre a Comissão Nacional de Eleições, que poderá ter de se pronunciar sobre o uso de conteúdos falsos em campanhas políticas.

Um alerta para o futuro

O cartaz falso não é apenas um episódio isolado — é um aviso sobre o poder da manipulação digital em sociedades polarizadas. Especialistas defendem a criação de políticas públicas que promovam a alfabetização mediática e a responsabilização dos autores de conteúdos racistas ou manipulados.

Para os leitores, o caso serve também como lembrete: verificar fontes e manter um olhar crítico é essencial para combater a desinformação.
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Resumo e FAQ

O que aconteceu?
Um membro do Conselho Nacional do Chega partilhou um cartaz falso com teor racista, gerado por IA.

Quem apresentou queixa?
A ex-eurodeputada Ana Gomes apresentou uma queixa-crime por incitamento ao ódio.

Porque é que o caso é importante?
O episódio levanta questões sobre o racismo na política e o uso da IA na manipulação de mensagens eleitorais.

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