Habitação Ilegal no Porto: Câmara Municipal Sela Imóvel onde Imigrantes Pagavam Até 250€ por Cama

Ana Fernandes
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Grupo de pessoas com malas e backpacks esperando na calçada de uma rua movimentada em uma área urbana, com edifícios residenciais ao fundo.
"250€ por uma cama num quarto sobre lotado. No coração do Porto, a dignidade tinha este preço.Entenda o caso que chocou a cidade."

Resumo do Caso:

  • Local: Rua do Bonjardim, Porto.
  • Ação: Selagem de imóvel pela Câmara Municipal do Porto (CMP).
  • Exploração: Imigrantes pagavam 250€ por cama em condições insalubres.
  • Contexto: Crise habitacional e fiscalização intensificada no centro histórico.

O Porto assistiu esta semana a mais um episódio crítico da crise habitacional que assola as grandes cidades portuguesas. Na Rua do Bonjardim, uma operação da Câmara Municipal do Porto resultou na selagem de um imóvel que funcionava como uma autêntica "casa-dormitório" ilegal.

A investigação revelou que dezenas de imigrantes eram submetidos a condições de habitabilidade degradantes, pagando cerca de 250 euros mensais por uma cama. Este valor, multiplicado pela lotação do espaço, gerava um lucro ilícito substancial para os proprietários, à margem de qualquer regulamentação sanitária ou fiscal.

Neste artigo, analisamos o impacto desta intervenção, os contornos legais da exploração de vulnerabilidade e como este caso se insere na estratégia de fiscalização da autarquia liderada por Rui Moreira

Leia também: AIMA sob investigação: denúncias de corrupção e atrasos que não param de crescer.


O Modus Operandi da Habitação Ilegal no Bonjardim

A operação, desencadeada após várias denúncias de vizinhos e sinais de sobrelotação, expôs um cenário de extrema precariedade. O imóvel não possuía licença para serviços de hospedagem, nem condições mínimas de segurança contra incêndios.

Segundo fontes policiais, os quartos eram divididos por estruturas temporárias para maximizar o número de camas. O valor de 250 euros por cama é particularmente alarmante quando comparado com o salário mínimo nacional, representando uma fatia desproporcional do rendimento destes trabalhadores.

Este fenómeno não é isolado. Especialistas indicam que a pressão do investimento imobiliário e a escassez de oferta pública empurram as populações mais vulneráveis para circuitos de arrendamento paralelo, onde os direitos fundamentais são ignorados em prol do lucro rápido.

Também temos: Leis de Imigração em Portugal 2026: o que mudou sobre deportações e impostos.

Dados e Estatísticas da Intervenção

Indicador Detalhes da Ocorrência
Localização Rua do Bonjardim, Baixa do Porto
Custo por Cama 250€ / mês
Infrações Detetadas Falta de licença, insalubridade, risco de incêndio
Entidade Responsável Câmara Municipal do Porto / Polícia Municipal

A Resposta da Câmara Municipal do Porto

A Câmara Municipal do Porto (CMP) tem intensificado a fiscalização de imóveis no centro histórico. A selagem administrativa é o recurso final utilizado quando os proprietários ignoram notificações prévias para cessar a atividade ilegal.

De acordo com dados oficiais da autarquia, estas operações visam não só combater a imigração ilegal e a exploração humana, mas também garantir a segurança pública. Imóveis com fiação elétrica exposta e excesso de carga térmica representam um perigo real de incêndio para todo o quarteirão.

A análise do Portal Mundo Time sugere que estas intervenções, embora necessárias, levantam uma questão complexa: para onde vão estas pessoas após o despejo? A falta de uma rede de apoio robusta para realojamento imediato continua a ser o "calcanhar de Aquiles" das políticas municipais.

Impacto Financeiro e o Mercado de Arrendamento

O valor cobrado — 250€ por cama — demonstra como a habitação ilegal se tornou um ativo financeiro altamente rentável para redes criminosas. Num quarto com seis camas, o rendimento mensal pode atingir os 1.500€, superando largamente o valor de um arrendamento convencional legalizado.

Este cenário distorce o mercado local e inflaciona os preços nos bairros circundantes. O capital acumulado nestas operações raramente é reinvestido na manutenção do património, contribuindo para a degradação urbana a longo prazo.

A fiscalização rigorosa poderá, num primeiro momento, reduzir a oferta de camas baratas, mas é vista por analistas como essencial para restaurar a dignidade no mercado de crédito e património imobiliário da cidade.

O Contraditório: Riscos e Críticas

Apesar do aplauso generalizado à intervenção da CMP, associações de apoio ao imigrante alertam para o risco de sem-abriguismo. O Conselho Português para os Refugiados e outras entidades têm reiterado que "selar casas sem oferecer alternativas de habitação pública apenas empurra o problema para a rua ao lado".

Críticos da gestão municipal argumentam que o foco tem sido excessivo na repressão e insuficiente na criação de habitação a custos controlados, o que torna o Porto um terreno fértil para exploradores que se aproveitam da necessidade desesperada de quem chega ao país para trabalhar.

Leia também: EUA pagam imigrantes para abandonar o país — e a Europa observa.

FAQ: Dúvidas Frequentes sobre Habitação Ilegal

1. O que acontece aos inquilinos após a selagem?
Legalmente, a responsabilidade do realojamento recai sobre o proprietário que explorava o imóvel ilegalmente, embora a Segurança Social possa ser acionada em casos de emergência social.

2. Quais as multas para proprietários nestas situações?
As coimas podem variar entre os 2.000€ e os 200.000€, dependendo da gravidade das infrações urbanísticas e da natureza da atividade económica ilegal.

3. Como denunciar casos suspeitos?
As denúncias podem ser feitas de forma anónima através dos canais de atendimento ao munícipe da Câmara Municipal do Porto ou na esquadra da PSP mais próxima.


Conclusão

O caso da Rua do Bonjardim é um sintoma doloroso de uma crise estrutural. A selagem do imóvel pela Câmara do Porto interrompe um ciclo de exploração, mas o tema continuará em debate enquanto a oferta de habitação digna não acompanhar a procura crescente. A vigilância das autoridades e a atualização dos marcos regulatórios são fundamentais para proteger tanto o património da cidade como a dignidade de quem escolhe o Porto para viver.

Acompanhe as próximas atualizações sobre este caso e outras notícias de economia e sociedade aqui no Portal Mundo Time.

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