Trump diz querer “adquirir” a Groenlândia — Constituição, NATO e a reação internacional

Ana Fernandes
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Imagem de uma manifestação com muitas pessoas segurando bandeiras vermelhas e brancas, e uma pessoa falando ao microfone, em um clima de protesto.
Pode um país ser comprado? Trump diz que sim, mas a lei diz que não. Entenda este choque de gigantes!
 

Pontos-Chave deste Artigo:

  • Ambição Estratégica: Donald Trump reitera o interesse na compra da Groenlândia por razões de defesa e recursos.
  • Obstáculos Legais: A Constituição da Dinamarca e o estatuto de autonomia impedem uma venda direta.
  • Impacto na NATO: A proposta gera tensões diplomáticas num momento crítico para a segurança ártica.
  • Recursos em Jogo: Terras raras, petróleo e novas rotas marítimas dominam o interesse económico.

O regresso do debate sobre a "aquisição" da Groenlândia pelos Estados Unidos, impulsionado por Donald Trump, transcende a retórica política. Trata-se de uma manobra de realismo geopolítico que coloca em causa a soberania dinamarquesa e a estabilidade da NATO.

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Nesta análise profunda, exploramos os limites constitucionais desta proposta, o valor económico bilionário do Ártico e por que razão esta transação é considerada impossível sob o Direito Internacional atual. Leia até ao fim para compreender as implicações para o património global e a segurança europeia.


A Doutrina Trump e a Expansão Territorial no Século XXI

A ideia de comprar a Groenlândia não é inédita, mas a persistência de Donald Trump em tratar o território como um ativo imobiliário estratégico alterou o paradigma diplomático. Segundo fontes da Casa Branca e análises do Portal Mundo Time, o interesse americano foca-se na contenção da influência da China e da Rússia no Círculo Polar Ártico.

Para o ex-presidente e atual candidato, a integração da Groenlândia seria "vantajosa para ambos". No entanto, o governo dinamarquês e o executivo autónomo de Nuuk têm classificado a proposta como "absurda". A questão central não é apenas financeira, mas sim a autodeterminação de um povo que detém autonomia sobre os seus próprios recursos desde 2009.

O Que Diz a Constituição: A Barreira Legal de Copenhaga

De acordo com a Constituição do Reino da Dinamarca, a Groenlândia faz parte integrante da "Comunidade do Reino" (Rigsfællesskabet). Existem três pilares jurídicos que impedem a venda do território:

  1. Lei da Autonomia (Self-Government Act de 2009): Garante aos groenlandeses o direito à autodeterminação. Qualquer mudança de estatuto requer um referendo local.
  2. Soberania Nacional: A Constituição dinamarquesa não prevê mecanismos para a alienação de território nacional a potências estrangeiras.
  3. Direito Internacional: A Carta das Nações Unidas protege a integridade territorial e proíbe a transferência de populações sem consentimento expresso.

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Nota de Especialista: "A Groenlândia não é uma mercadoria. No século XXI, a transferência de territórios entre Estados sem o consentimento da população local viola os princípios básicos da democracia moderna", afirmam analistas de Direito Internacional na Dinamarca.

Valor Económico: Por que a Groenlândia é um "Ativo" de Luxo?

A urgência de Washington em garantir presença na região prende-se com o degelo das calotas polares, que está a abrir novas rotas comerciais e a facilitar o acesso a depósitos minerais vastíssimos. O interesse económico envolve setores de alto crédito e investimento internacional.

Recurso / Fator Impacto Estratégico Estimativa / Detalhe
Terras Raras Tecnologia e Defesa Maiores depósitos fora da China.
Petróleo e Gás Independência Energética Estimativas de biliões de barris sob o gelo.
Base de Thule Segurança Nacional Radar essencial para o escudo antimíssil dos EUA.
Rotas Árticas Logística Global Redução de 40% no tempo de transporte Ásia-Europa.

O Impacto na NATO: Aliança ou Anexação?

A retórica de Trump sugere que a NATO ficaria "muito feliz" com a aquisição. Contudo, especialistas militares europeus divergem. A Dinamarca é um membro fundador da NATO e a pressão para ceder território cria uma fratura interna na aliança. Este cenário levanta críticas porque:

  • Desestabiliza a confiança entre os aliados europeus e os EUA.
  • Força uma militarização acelerada de uma região anteriormente dedicada à cooperação científica.
  • Pode servir de pretexto para que outras potências, como a Rússia, justifiquem reivindicações territoriais semelhantes.

Cronologia do Interesse Americano na Groenlândia

  • 1867: O Departamento de Estado dos EUA produz o primeiro relatório sobre a compra da ilha.
  • 1946: Harry Truman oferece 100 milhões de dólares em ouro pela Groenlândia; Dinamarca recusa.
  • 1951: Assinatura do tratado de defesa que estabelece a Base Aérea de Thule (Pituffik).
  • 2019: Donald Trump cancela visita oficial à Dinamarca após Mette Frederiksen rejeitar negociar a ilha.
  • 2024-2026: Regresso do tema à agenda política internacional.

O Contraditório: Riscos e Críticas

Na opinião de diversos especialistas em geopolítica, a proposta de Trump é vista como uma distração ou uma simplificação excessiva de questões complexas. Os críticos argumentam que o custo de manutenção da Groenlândia — atualmente subsidiada pela Dinamarca em cerca de 500 milhões de euros anuais — seria um fardo para o tesouro americano sem garantias de retorno imediato.

Além disso, a Segurança Social e os sistemas de bem-estar social groenlandeses seguem o modelo nórdico, sendo incompatíveis com o sistema americano, o que geraria uma resistência social sem precedentes na população local.

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FAQ - Perguntas Frequentes

1. A Dinamarca pode legalmente vender a Groenlândia?
Não. De acordo com o estatuto de autonomia de 2009, qualquer decisão sobre a soberania do território pertence ao povo da Groenlândia através de referendo.

2. Qual é a importância da Base de Thule?
É a base mais a norte dos EUA, crucial para a deteção precoce de mísseis balísticos e monitorização do espaço.

3. Existem investimentos chineses na região?
Sim, a China tem tentado investir em infraestruturas e mineração, o que os EUA consideram uma ameaça à segurança hemisférica.


Conclusão

O tema da aquisição da Groenlândia continuará em debate enquanto a competição pelas rotas do Ártico se intensificar. Embora economicamente tentadora para alguns setores de património e investimento, a barreira constitucional dinamarquesa e o direito à autodeterminação dos groenlandeses tornam a venda improvável a curto e médio prazo.

A medida levanta dúvidas sobre a futura coesão da NATO e o respeito pela soberania de nações mais pequenas face a grandes potências. No Portal Mundo Time, continuaremos a acompanhar os desdobramentos desta estratégia geopolítica.

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Qual é a sua opinião: pragmatismo económico ou desrespeito pela soberania? Deixe o seu comentário abaixo.

Fontes Consultadas: Gabinete do Primeiro-Ministro da Dinamarca, Governo da Groenlândia, Tratado do Atlântico Norte (NATO), Reuters e Arquivos do Departamento de Estado dos EUA.

Nota: As informações constantes deste artigo poderão ser revistas conforme novos dados diplomáticos ou declarações oficiais surjam. Última atualização: Janeiro de 2026.


Sobre o Autor: Analista sénior de Geopolítica do Portal Mundo Time, especialista em relações transatlânticas e segurança europeia.

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